Boa parte das pequenas e médias empresas brasileiras tem um Windows Server no escritório. Ele roda o sistema de gestão, guarda as pastas compartilhadas, controla os usuários da rede e, às vezes, serve de área de trabalho remota para quem está fora. Levar esse servidor para a nuvem não exige trocar de sistema nem reaprender nada: o mesmo Windows Server pode rodar numa VPS ou num servidor dedicado, num datacenter com energia, refrigeração e links redundantes.
Este artigo explica como funciona, quais usos fazem mais sentido, o que considerar na licença e, principalmente, como acessar esse servidor sem abrir uma porta para atacantes.
VPS ou servidor dedicado para Windows Server?
As duas opções rodam Windows Server normalmente. A diferença está no hardware:
- VPS: um servidor virtual com CPU, memória e disco reservados para você, dentro de um equipamento físico maior. Cresce com facilidade (mais memória, mais disco), tem snapshots para voltar a um ponto anterior antes de uma atualização e costuma ser o ponto de partida para a maioria das empresas.
- Servidor dedicado: uma máquina física inteira, sem virtualização. Indicado para bancos de dados grandes, muitos usuários de área de trabalho remota simultâneos ou quando você quer instalar o próprio hipervisor e criar várias máquinas virtuais. O acesso ao console (KVM) permite instalar e reinstalar o sistema como se estivesse na frente do equipamento.
O comparativo completo está em VPS ou servidor dedicado.
Casos de uso mais comuns
Sistema de gestão (ERP)
É o motivo número um. Muitos sistemas de gestão usados no Brasil rodam em Windows Server com banco de dados local. Na nuvem, o servidor fica protegido de quedas de energia e de problemas no escritório, e as filiais acessam o mesmo ambiente. Um ponto de atenção: em sistemas cliente-servidor, em que o programa roda no computador do usuário e conversa o tempo todo com o banco, o acesso pela internet pode ficar lento. Nesses casos, o caminho usual é rodar o sistema no próprio servidor e acessá-lo por área de trabalho remota. Veja mais em ERP lento: o servidor pode ser o culpado e em servidor em nuvem para ERP.
Servidor de arquivos
As pastas compartilhadas por departamento, com permissões por grupo de usuários, funcionam da mesma forma na nuvem. Os usuários mapeiam a unidade de rede pela VPN, e o servidor continua controlando quem vê o quê. Para escritórios que lidam com muitos arquivos grandes, vale avaliar o volume de dados e o link de internet do escritório, que passa a ser o caminho para os arquivos.
Acesso remoto (área de trabalho remota)
Com os serviços de área de trabalho remota do Windows Server, vários usuários se conectam ao mesmo servidor, cada um com a sua sessão, e usam os programas como se estivessem no próprio computador. Funciona bem para equipes externas, home office, filiais e para sistemas que precisam rodar perto do banco de dados. O computador do usuário vira só uma tela, o que também facilita trocar ou perder um notebook sem perder dados.
Controlador de domínio e outros serviços
O servidor também pode centralizar usuários e senhas (Active Directory), políticas de segurança, impressão e aplicações internas. Em ambientes híbridos, é comum manter um controlador de domínio na nuvem e outro no escritório.
Licenciamento: o que considerar
O licenciamento de Windows Server tem regras próprias, que mudam conforme a edição, a quantidade de núcleos do servidor, a forma de uso e o tipo de contrato. Também é preciso pensar nas licenças de acesso de usuários e, para área de trabalho remota, nas licenças específicas desse serviço. Como as regras são detalhadas e podem mudar, o melhor caminho é:
- levantar quantos usuários vão acessar o servidor e de que forma (arquivos, sistema, área de trabalho remota);
- verificar se as licenças que a empresa já tem podem ser usadas no novo ambiente, com quem as vendeu;
- considerar a licença incluída na mensalidade do servidor, o que simplifica a gestão e evita compra antecipada.
Na DataHead, a licença do Windows Server pode ser incluída na mensalidade. Isso entra no levantamento da proposta, junto com o número de usuários e os serviços que o servidor vai rodar.
Segurança do RDP: a regra mais importante
O protocolo de área de trabalho remota (RDP) é um dos alvos preferidos de ataques automatizados. Robôs varrem a internet o tempo todo procurando servidores com a porta do RDP aberta e tentam milhares de combinações de usuário e senha. Um servidor exposto assim começa a receber tentativas pouco depois de ligado. Uma senha fraca ou vazada basta para o atacante entrar, desativar o antivírus e instalar um ransomware.
Não exponha o RDP na internet
A recomendação é direta: a porta do RDP não deve ficar aberta para a internet. Trocar a porta padrão por outra reduz o ruído nos logs, mas não protege de verdade, porque os robôs também encontram portas alternativas.
Use VPN
O usuário primeiro se conecta a uma VPN, que autentica e criptografa o acesso, e só então abre a área de trabalho remota, como se estivesse na rede interna. Para filiais, uma VPN site a site liga o escritório ao datacenter de forma permanente. Para quem trabalha remoto, uma VPN para usuários resolve. Um firewall gerenciado cuida das duas.
Camadas adicionais
- autenticação em dois fatores na VPN;
- bloqueio de conta após tentativas de senha erradas;
- usuários comuns sem permissão de administrador;
- atualizações do Windows aplicadas com regularidade (com snapshot antes, em VPS);
- regras de firewall que liberam só o necessário, por origem;
- backup fora do servidor, que o usuário do servidor não consiga apagar.
Para aprofundar, leia como proteger servidores de ransomware.
Como planejar a migração
- Liste o que roda hoje no servidor: sistemas, bancos de dados, pastas, usuários, serviços agendados.
- Meça o uso real de CPU, memória e disco para dimensionar o novo servidor.
- Defina como os usuários vão acessar: VPN, área de trabalho remota, unidade mapeada.
- Combine com o fornecedor do sistema de gestão a reinstalação ou a migração do banco.
- Faça um teste com um grupo pequeno antes de virar a chave.
- Migre num período de menor movimento e mantenha o servidor antigo desligado, mas disponível, por alguns dias.
Como a DataHead pode ajudar
A DataHead oferece VPS e servidores dedicados com Windows Server no datacenter próprio em Londrina/PR, com licença que pode ser incluída na mensalidade, IP dedicado, firewall, VPN e backup programado. Apoiamos o dimensionamento e a migração do seu ambiente. Para conversar sobre o seu servidor, use o fale conosco.
Perguntas frequentes
Posso rodar o mesmo sistema que uso hoje no Windows Server da nuvem?
Em geral sim. O Windows Server na VPS ou no dedicado é o mesmo sistema do escritório. Vale confirmar com o fornecedor do software os requisitos e a forma de migrar o banco de dados.
A licença do Windows Server está incluída?
Na DataHead a licença pode ser incluída na mensalidade. O número de usuários e o uso de área de trabalho remota entram no levantamento da proposta.
É seguro acessar o servidor por área de trabalho remota?
Sim, desde que a porta do RDP não fique exposta na internet. O acesso deve passar por VPN, de preferência com autenticação em dois fatores.
VPS ou dedicado para Windows Server?
A VPS atende a maioria das empresas e cresce com facilidade. O dedicado é indicado para bancos grandes, muitos usuários de área de trabalho remota ou quem quer virtualizar o próprio ambiente.